A conta 513 do plano contábil geral registra as operações que transitam pelas contas de cheques postais. Sua posição na classe 5, entre a conta 512 (Bancos) e a conta 514 (Cheques postais do Tesouro), cria uma confusão frequente, inclusive entre praticantes experientes. Aqui, esclarecemos seu escopo exato e suas implicações práticas.
Conta 513 e conta 512: uma distinção de nomenclatura que o PCG mantém
O regulamento ANC 2014-03 mantém uma separação clara entre a conta 512 Bancos e a conta 513. A 512 acolhe os movimentos relacionados às instituições de crédito tradicionais. A 513, por sua vez, rastreia os fluxos associados aos cheques postais, ou seja, às contas abertas na La Banque Postale (ou historicamente dos CCP).
Essa distinção surpreende porque, na prática, a La Banque Postale possui uma licença bancária completa. No entanto, observamos que a nomenclatura do PCG não fundiu as duas contas. Portanto, qualquer entidade que possua uma conta corrente postal deve isolá-la na 513 e não misturá-la em uma subconta da 512.
Para aprofundar o assunto, você encontrará informações úteis no BusiBoost que detalham a definição e a vinculação da conta 513 no âmbito do plano de contas.
A conta 514, por sua vez, diz respeito aos cheques postais do Tesouro público, utilizados pelos contadores públicos. Confundir 513 e 514 equivale a misturar tesouraria privada e tesouraria pública nas escrituras.
Funcionamento contábil da conta 513: débito, crédito e saldo esperado
A conta 513 funciona como qualquer conta de tesouraria da classe 5. Ela é debitada durante os recebimentos (transferências recebidas, depósitos de cheques) e é creditada durante os pagamentos (pagamentos a fornecedores, débitos diretos).

Seu saldo normal é devedor, refletindo as disponibilidades mantidas na conta postal. Um saldo credor sinaliza um descoberto autorizado ou uma anomalia de imputação que deve ser tratada sem demora.
Escrituras correntes na conta 513
- Recebimento de um pagamento de cliente: débito da 513 pelo crédito da conta 411 (Clientes) para registrar a entrada de fundos na conta postal.
- Pagamento a um fornecedor por transferência postal: crédito da 513 pelo débito da conta 401 (Fornecedores), com referência da transferência no descritivo.
- Transferência interna entre banco e conta postal: débito da 513 e crédito da 512 (ou vice-versa), passando eventualmente pela conta 580 (Transferências internas) para garantir o acompanhamento dos fluxos entre contas.
A utilização da conta 580 durante as transferências entre a 512 e a 513 não é irrelevante. Ela garante que um desvio de datas de valor não gere duplicidade ou lacunas na tesouraria consolidada.
Reconciliação bancária da conta 513: prática de controle periódico
O saldo contábil da conta 513 não reflete necessariamente a tesouraria realmente disponível na conta postal. Operações contabilizadas podem ainda não aparecer no extrato, e vice-versa, movimentos bancários podem permanecer não registrados na contabilidade.
A reconciliação bancária identifica essas discrepâncias e permite detectar rapidamente taxas não contabilizadas, transferências não identificadas ou erros de imputação. A prática profissional privilegia uma periodicidade mensal, mesmo que nenhum texto geral do PCG a imponha formalmente.
Pontos de atenção durante a reconciliação
As estruturas associativas e os condomínios são particularmente afetados. Quando uma conta postal serve como conta corrente principal, as operações pendentes distorcem a imagem da tesouraria disponível se a reconciliação for negligenciada. Recomendamos que cada linha do extrato postal seja sistematicamente conciliada com a escritura contábil correspondente.
Uma reconciliação rigorosa também facilita a separação dos poderes bancários. Nas associações, o signatário dos cheques postais e a pessoa responsável pela inserção contábil não devem ser a mesma. Esse controle cruzado reduz o risco de fraude e erro.

Quando a conta 513 se torna supérflua: casos de fechamento e reclassificação
Com a banalização dos serviços da La Banque Postale, algumas entidades fecham sua conta postal histórica em favor de uma conta bancária clássica. Nesse caso, o saldo da 513 deve ser liquidado por transferência para a 512 antes do fechamento do exercício.
A escritura de reclassificação é simples: débito da 512, crédito da 513 pelo valor exato do saldo residual. A conta 513 permanece então no plano de contas da entidade, mas com um saldo nulo. Sua exclusão do plano de contas interno só é pertinente se a entidade tiver certeza de que não reabrirá uma conta postal.
Por outro lado, uma entidade que abre uma nova conta na La Banque Postale deve criar uma subconta específica da 513 (por exemplo, 5131 para distinguir várias contas postais), com um descritivo mencionando o número da conta e a agência de vinculação.
A conta 513 continua sendo uma ferramenta de rastreabilidade relevante para qualquer estrutura que mantenha um vínculo operacional com a La Banque Postale. Sua exclusão do plano de contas sem uma análise prévia da necessidade de tesouraria seria uma simplificação apressada. Manter a 513 ativa enquanto a conta postal existir continua sendo a prática mais segura para garantir a confiabilidade do balanço.



